Green Mining: coleta e reciclagem de vidro gerando empregos

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Mais de 300 toneladas de vidro coletado e enviado para reciclagem, evitando a emissão de mais de 50 toneladas de CO2. Esses são os números da Green Mining que não param de crescer. Para se obter esse resultado, o trabalho funciona da seguinte maneira: um sistema mapeia, de acordo com dados de venda da indústria, onde estão os pontos de concentração de embalagens pós-consumo. Nesses locais, são instalados os Hubs, containers onde os coletores depositam os vidros recolhidos. Em seguida o material é enviado à usinas e empresas de reciclagem. A Green Mining atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Conversamos com Rodrigo Oliveira, CEO da startup, que nos contou sobre o nascimento dessa ideia e expectativas para o futuro.

Como surgiu a ideia para a criação da Green Mining?

Eu trabalhava em uma empresa de consultoria em projetos de engenharia de disposição de resíduos, quando percebi que a quantidade de produtos recicláveis sendo enterrados em aterros sanitários era impressionante. Além disso, tinha consciência que a maior parte de recuperação de recicláveis no Brasil era realizada por mão de obra informal, sem direitos trabalhistas garantidos. Diante dessa realidade, enquanto cursava mestrado em sustentabilidade, em 2016, me deparei com o conceito de mineração urbana: o processo de localizar e recuperar elementos úteis de itens descartados para serem reaproveitados. Decidi fazer isso assinando a carteira de trabalho de ex-catadores. Surgiu então a parceria com o Adriano Leite e o Leandro Metropolo, que trabalhavam com tecnologia, para desenvolver um software de rastreamento de embalagens pós-consumo. Juntos, fundamos a Green Mining. 

Como a Green Mining contribui para o combate aos efeitos das mudanças climáticas?

Rodrigo Oliveira e Leandro Metropolo, co-fundadores da Green Mining, durante Bootcamp da ClimateLaunchpad.

Rodrigo Oliveira e Leandro Metropolo, co-fundadores da Green Mining, durante Bootcamp da ClimateLaunchpad.

Trabalhando inicialmente com vidro, já coletamos e enviamos para reciclagem mais de 200 toneladas de garrafas – o que equivale a mais de 33 toneladas de emissão de CO2 que foram evitadas (dados de 05 de agosto de 2019), números que continuam aumentando. Também estamos ampliando a variedade de materiais que enviamos para reciclagem. Uma das preocupações do nosso modelo de negócio é utilizar veículos não motorizados, como triciclos, para realizar as coletas evitando mais emissão de CO2. 

Como participar da Competição de Ideias de Negócios Verdes está ajudando a sua empresa?

Participar de uma competição global como essa é essencial para uma startup como a Green Mining que pensa em uma expansão para fora do país. Além da troca de ideias, experiências e mentorias, ajuda tanto na divulgação da nossa solução quanto no incentivo à discussão relacionada às baixas taxas atuais de reciclagem e às condições precárias de muitos trabalhadores da cadeia da reciclagem. Isso pode incentivar mais e mais pessoas a pensarem em suas próprias atitudes e em maneiras para fazer a diferença.

Qual é o seu maior sonho para a Green Mining?

Continuar aumentando a quantidade de operações de coleta em todo o Brasil e, consequentemente, a quantidade de resíduos que terão reciclagem garantida, colaborando com o meio ambiente. Além de dar dignidade e respeito a cada vez mais catadores que hoje ainda trabalham de maneira informal e ganham menos de um salário mínimo. A ideia também é levar a Green Mining para outros países, ampliando nossos impactos sociais e de sustentabilidade!

Por que você acredita que a Green Mining deve ser a vencedora da Competição de Ideias de Negócios Verdes?

A Green Mining deve ser a vencedora da competição por ser uma solução simples que une de forma consistente os propósitos ambiental, social e econômico. Temos uma ideia inovadora de Logística Reversa Inteligente que permite recuperar embalagens pós-consumo do mercado de forma eficiente. Dessa maneira, as empresas que nos contratam têm uma solução com custo eficiente para cumprir seu papel na responsabilidade compartilhada determinada na Política Nacional de Resíduos Sólidos e para recuperar materiais de volta para a cadeia de suprimentos. Isso, claro, além de colaborar com o meio ambiente, reduzindo a exploração de recursos naturais, e tendo uma importante vertente social ao formalizar e dar dignidade ao trabalho de catadores, carroceiros ou cooperados.

Arianny DiasComentário